Quando você solicita uma cotação de seguro auto e recebe um valor muito mais alto (ou mais baixo) do que esperava, pode parecer que a seguradora tirou aquele número do nada. Mas a verdade é que o valor do seguro é o resultado de uma análise criteriosa feita com base em um dos fatores mais importantes: o seu perfil como motorista.
Muita gente acredita que o carro é o principal fator de precificação, mas, na prática, quem dirige o carro é o que mais pesa na avaliação do risco para a seguradora.
O que é “perfil” no seguro auto?
O perfil é um conjunto de dados pessoais e comportamentais que ajudam a seguradora a prever o risco de sinistros (acidentes, roubos, danos a terceiros, etc). Quanto maior a probabilidade de que algo aconteça com o veículo segurado, maior o valor da apólice.
Entre os principais pontos avaliados estão:
- Idade do condutor principal
- Gênero
- Estado civil
- Local de residência
- Tempo de habilitação
- Profissão
- Uso do veículo (lazer, trabalho, ambos)
- Locais onde o carro costuma pernoitar (garagem ou via pública)
- Histórico de sinistros ou acidentes anteriores
Por que tudo isso influencia tanto?
Seguradoras trabalham com estatísticas. Isso significa que elas avaliam os dados de milhares de motoristas e identificam padrões. Por exemplo:
- Motoristas jovens (entre 18 e 25 anos) estão mais envolvidos em acidentes, segundo dados do DENATRAN. Isso se deve, em parte, à inexperiência e à maior exposição ao trânsito urbano. Por isso, esse público paga mais caro.
- Pessoas que deixam o carro na rua durante a noite ou em locais com alto índice de roubo têm mais chance de acionar o seguro, o que também encarece a apólice.
Exemplo prático
Vamos imaginar dois motoristas com o mesmo carro: um Honda HR-V 2021.
- Carlos, 22 anos, solteiro, mora em uma região central de São Paulo, trabalha com entregas, dirige todos os dias e estaciona o carro na rua.
- Marcos, 45 anos, casado, mora em uma cidade do interior de SP, usa o carro apenas aos fins de semana e o guarda em garagem fechada.
Mesmo com o mesmo veículo, Carlos pode pagar R$ 4.000 por ano, enquanto Marcos paga apenas R$ 1.800. A diferença? O perfil de risco.
A importância da honestidade nas informações
Algumas pessoas tentam “melhorar” o perfil na hora de fazer a cotação — colocam outro nome como principal condutor ou afirmam que o carro dorme na garagem quando, na verdade, fica na rua. Isso pode sair muito caro.
Em caso de sinistro, a seguradora investiga as informações e, se encontrar divergências, pode recusar a cobertura, alegando má fé. Além disso, você pode ser penalizado com a perda total da apólice e inclusão em listas de risco, dificultando futuras contratações.
