O setor de seguros brasileiro é um verdadeiro gigante em expansão, com raízes que remontam ao início do século XIX. Pouca gente sabe, mas a história desse mercado começou ainda em 1808, quando Dom João VI abriu os portos brasileiros ao comércio internacional, rompendo o monopólio português sobre as atividades comerciais. Desde então, a atividade seguradora no país só cresceu, tornando-se fundamental para proteger bens, pessoas, empresas e sonhos.
Recentemente, os números do setor têm chamado atenção, tanto pelo seu crescimento acelerado quanto pelo seu impacto econômico. Dados divulgados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostram que, só em 2024, o mercado arrecadou R$ 751,3 bilhões – um crescimento impressionante de 12,2% em comparação ao ano anterior. Essa quantia não fica apenas nos cofres das empresas: em indenizações, foram pagos aos clientes mais de R$ 504 bilhões, valor 7,8% maior que no ano anterior, demonstrando como o seguro está, cada vez mais, presente na vida dos brasileiros.
O ritmo se manteve acelerado no primeiro trimestre de 2025, com arrecadação de R$ 188,8 bilhões em prêmios de seguros, planos de previdência, títulos de capitalização e saúde. No mesmo período, as indenizações, resgates e benefícios pagos passaram de R$ 131,7 bilhões, um aumento expressivo de 11,4% em relação ao ano anterior. Ou seja, quem aposta na proteção oferecida pelas seguradoras está, cada vez mais, colhendo frutos concretos dessa escolha.
Porém, apesar dessa trajetória de sucesso e números superlativos, existe um grande desafio ainda a ser enfrentado: a reputação e o reconhecimento das marcas do setor pelo público consumidor. Um estudo recente feito pela consultoria Caliber, entre janeiro e junho de 2025, revelou que o índice médio de conhecimento das empresas de seguros entre os brasileiros ficou em apenas 42%. Isso significa que, mesmo movimentando somas bilionárias, muitas dessas marcas ainda são pouco conhecidas pela maioria das pessoas.
Esse desconhecimento se reflete diretamente no baixo índice de familiaridade: somente 29% dos entrevistados afirmaram conhecer, de fato, alguma marca do setor. Curiosamente, esse percentual se aproxima dos dados sobre o mercado automotivo: apenas 30% dos veículos no Brasil contam com algum tipo de seguro. Ou seja, a maioria dos brasileiros ainda vive sem o respaldo e a proteção de um seguro – seja por falta de informação, renda ou confiança nesse tipo de serviço.
Mas por que isso é importante? Porque a existência de marcas reconhecidas e familiares é uma peça-chave para a construção da reputação, um ativo estratégico que faz toda a diferença no sucesso a longo prazo das empresas. A reputação está diretamente ligada à confiança e à admiração dos consumidores e é construída diariamente, tanto por meio de experiências diretas (como um atendimento eficaz, o pagamento de uma indenização ou a resolução rápida de um problema) quanto pelas ações das empresas no campo social, ambiental e de governança – hoje conhecidas como dimensões ESG.
Os resultados do Estudo de Reputação Corporativa no Mercado de Seguros – Brasil, realizado em parceria com o Meio & Mensagem, destacaram algumas marcas líderes no setor: Porto, Tokio Marine, Bradesco Seguros, SulAmérica e Allianz. Essas empresas ocuparam as primeiras posições no ranking de reputação e são vistas como referências em confiança, admiração e respeito, garantindo relações mais sólidas com seus clientes e conquistando resultados ainda melhores no mercado.
No indicador chave “Confiança e Admiração”, o levantamento apontou média de 77 pontos, em uma escala de 0 a 100, para as marcas do setor. Isso demonstra que, quando o público conhece e confia nas seguradoras, a relação tende a ser positiva, com mais avaliações positivas em atributos como inovação, atendimento, agilidade e compromisso com causas sociais e ambientais.
Outro dado interessante do estudo é a questão do apoio à marca. O conceito de “Marca Empregadora” – ou seja, empresas reconhecidas como bons lugares para trabalhar – atingiu 67% no levantamento, sinalizando que o setor tem boa reputação não só para clientes, mas também como fonte de emprego e renda. Por outro lado, o índice de “advocacy” (defesa institucional) ficou em 63%, mostrando que ainda há espaço para as empresas conquistarem não só clientes, mas verdadeiros fãs e defensores das marcas.
Para chegar a esses números, a pesquisa contou com 1.202 entrevistados espalhados por todo o Brasil, que avaliaram atributos de marca e reputação através de um amplo questionário. Os resultados mostram que, apesar dos avanços, o mercado de seguros brasileiro ainda tem um grande potencial a ser explorado, principalmente no relacionamento com os consumidores.
Em resumo, o setor de seguros no Brasil é uma verdadeira potência econômica, que já protege milhões de brasileiros, mas que ainda enfrenta o desafio de ser mais conhecido, próximo e admirado. Com mais informação, transparência e iniciativas voltadas para o consumidor, a tendência é que a reputação das seguradoras só cresça – e, junto com ela, a confiança e a adesão ao seguro em todo o país.
