A crise da Unimed Ferj tem chamado a atenção de usuários de planos de saúde, profissionais do setor e autoridades reguladoras. No centro dessa situação está o Hospital Unimed da Barra da Tijuca, uma unidade estratégica para o atendimento de alta complexidade no Rio de Janeiro. Entender o que está acontecendo ajuda o consumidor a acompanhar o cenário e tomar decisões mais conscientes sobre seu plano de saúde.
Neste artigo, você vai entender por que o hospital opera de forma parcial, qual é o papel da Unimed do Brasil nesse processo e como a Agência Nacional de Saúde Suplementar tenta evitar um impacto ainda maior para os beneficiários.
A crise da Unimed Ferj e a perda de usuários
A crise da Unimed Ferj se agravou a partir de 2024, quando a operadora perdeu cerca de 130 mil usuários. Essa redução da carteira impacta diretamente a arrecadação mensal, que é a principal fonte de recursos para manter hospitais, prontos-socorros e o pagamento da rede credenciada.
Quando menos pessoas pagam mensalidades, o equilíbrio financeiro fica comprometido. Na prática, isso obriga a operadora a fazer cortes, renegociar contratos e reduzir estruturas. É um movimento parecido com o de uma empresa que vê suas vendas caírem, mas precisa continuar pagando aluguel, funcionários e fornecedores.
Essa perda de escala ajuda a explicar por que a Unimed Ferj passou a ter dificuldades para sustentar integralmente a operação de suas unidades próprias.
O papel do Hospital Unimed da Barra da Tijuca
O Hospital Unimed da Barra da Tijuca é a única unidade hospitalar própria de alta complexidade da operadora na cidade do Rio de Janeiro. Isso significa que ele é essencial para internações, cirurgias mais complexas e tratamentos que exigem estrutura robusta.
Atualmente, dos 211 leitos existentes, apenas cerca de 60 estão em funcionamento. A redução não significa fechamento, mas mostra claramente o impacto da falta de recursos. O hospital continua realizando internações e cirurgias dentro das possibilidades de materiais e insumos disponíveis.
Manter um hospital desse porte em funcionamento é caro. Segundo a própria operadora, o custo mensal gira em torno de R$ 28 milhões, considerando gastos com pessoal, manutenção, medicamentos e outros insumos essenciais.
A intervenção da ANS e a entrada da Unimed do Brasil
Diante do agravamento da situação, a Agência Nacional de Saúde Suplementar determinou que a Unimed do Brasil dividisse o risco da operação da Unimed Ferj. A medida busca garantir a continuidade do atendimento aos usuários e evitar um colapso assistencial.
Com esse arranjo, a Unimed do Brasil passou a receber 90% da receita das mensalidades para pagar prestadores de serviço e reembolsos. Os 10% restantes ficam com a Unimed Ferj, que precisa usar esse valor para quitar dívidas, despesas administrativas e manter o hospital e os prontos-socorros próprios.
Embora a assistência aos usuários tenha sido assumida integralmente pela Unimed do Brasil, a gestão das unidades próprias ainda permanece sob responsabilidade da Ferj, o que gera um desafio adicional.
A negociação sobre os custos do hospital
Um dos principais pontos em discussão é a divisão dos custos do Hospital Unimed da Barra da Tijuca. A Unimed Ferj defende que a Unimed do Brasil passe a dividir ou até assumir integralmente a gestão financeira da unidade.
O argumento é simples e pragmático. Se a Unimed do Brasil já responde pelo atendimento aos usuários e recebe a maior parte da receita, faria sentido compartilhar também o peso financeiro da estrutura hospitalar, considerada estratégica para todo o sistema Unimed.
Do outro lado, a Unimed do Brasil afirma estar avaliando tecnicamente a estrutura, a demanda e os custos da operação antes de definir o melhor caminho para o hospital.
Dívidas bilionárias e tentativa de reorganização
Além da operação corrente, a Unimed Ferj precisa lidar com um passivo estimado em cerca de R$ 1,4 bilhão. Essa dívida envolve hospitais, laboratórios e fornecedores de medicamentos e materiais, com cerca de 50 credores no total.
Para organizar esse cenário, a operadora contratou a Câmara de Medição e Arbitragem da FGV. O processo é descrito como uma pré-recuperação extrajudicial, que busca negociar descontos e prazos sem recorrer imediatamente à recuperação judicial.
A expectativa é concluir essa etapa nos próximos meses, tentando encaixar os pagamentos dentro da realidade financeira atual da operadora.
O que o usuário deve observar nesse cenário
Para o beneficiário, o mais importante é acompanhar a normalização dos atendimentos e entender quem está responsável pela assistência. Apesar da crise da Unimed Ferj, a Unimed do Brasil afirma estar trabalhando para estruturar a rede e manter os serviços funcionando.
Em momentos como esse, informação é essencial. Saber como funciona a operação, quem paga a conta e quais unidades seguem ativas ajuda o consumidor a cobrar seus direitos e planejar seus próximos passos com mais segurança.
A crise ainda está em curso, mas as negociações em andamento mostram uma tentativa clara de preservar o atendimento e evitar impactos mais profundos para os usuários do sistema Unimed no Rio de Janeiro.
