A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu dar mais tempo para os clientes da Golden Cross encontrarem um novo plano de saúde. Agora, quem é beneficiário da empresa terá mais 60 dias para fazer a portabilidade — ou seja, para migrar para outro convênio sem enfrentar novas carências. A decisão foi anunciada pelo diretor de Normas e Habilitação da ANS, Jorge Aquino, e comunicada oficialmente ao jornal O Globo.
Mesmo com o novo prazo, a situação continua delicada. Segundo Jorge Aquino, a Golden Cross não tem mais como funcionar normalmente e representa uma ameaça para toda a cadeia de saúde. Ele ainda alertou que há problemas graves que podem fazer com que a empresa pare de vez a qualquer momento, prejudicando ainda mais os clientes e prestadores de serviço.
A ANS explica que alguns detalhes do processo de saída da Golden Cross do mercado precisam ser mantidos sob sigilo. Por outro lado, a agência garante estar acompanhando de perto o processo e já realizou novas reuniões com representantes da empresa para organizar a retirada dos beneficiários.
A crise da Golden Cross não é novidade: em janeiro, a ANS já tinha mandado a empresa vender sua carteira de clientes em até 30 dias e parar de aceitar novos contratos. Embora a Golden Cross tenha tentado recorrer, teve o pedido negado. Em março, a agência determinou que seus usuários tivessem um prazo de 60 dias para migrar para outros planos, quando a empresa ainda tinha cerca de 192 mil clientes.
Segundo o diretor da ANS, a Golden Cross já passou pelo maior colapso de atendimento médico do Brasil em 1998, quando a empresa não conseguiu mais cumprir com suas obrigações e deixou milhares de pessoas sem cobertura. Para evitar um novo cenário parecido, em 2024 a empresa fez um acordo para dividir riscos com a Amil, permitindo que esta atendesse parte dos clientes.
O contexto do setor de saúde suplementar no Rio de Janeiro também preocupa. A ANS afirma que toma cuidado para não agravar a situação dos consumidores, principalmente porque outras operadoras da região, como a Unimed Rio, também enfrentam dificuldades financeiras.
Outro ponto de atenção é que, em 30 de junho, termina o acordo entre Golden Cross (agora Vision Med) e Amil. Não se espera que este acordo continue, o que coloca ainda mais pressão sobre clientes e o sistema de saúde.
A Defensoria Pública do Rio de Janeiro pediu à ANS medidas mais claras para garantir que todos os clientes sejam informados sobre a portabilidade e apoiados na escolha de novos planos. A própria ANS reconhece que precisa melhorar a comunicação, mas alega falta de verba para campanhas, usando apenas o site oficial e redes sociais para avisos.
