Nos últimos anos, muitos brasileiros vêm sentindo no bolso o impacto dos reajustes dos planos de saúde. Agora, os beneficiários dos planos individuais e familiares da Unimed Ferj enfrentam um aumento expressivo: as mensalidades terão um reajuste de 14,43% em 2025, mais do que o dobro do limite de 6,06% determinado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para este tipo de contrato. Mas, afinal, por que esse aumento tão alto e o que os usuários podem esperar daqui para frente?
O reajuste dos planos de saúde é sempre um tema sensível. O consumidor já lida com uma série de dificuldades no acesso a consultas, exames e procedimentos, e agora terá que desembolsar ainda mais para manter o convênio de toda a família.
Por que o reajuste ficou tão alto?
Para entender este aumento, precisamos voltar ao início de 2024, quando a carteira de clientes da Unimed-Rio foi transferida para a Unimed Ferj. Nessa transição, um acordo foi firmado com a ANS permitindo reajustes maiores do que o teto para tentar reequilibrar as contas da operadora — algo chamado de “reequilíbrio econômico-financeiro”.
No ano passado, a ANS liberou um aumento de até 21,1% para a Ferj, mas, para tentar proteger os consumidores, a agência limitou o ajuste a 20%. A grande questão é que, no mesmo período, já existia o reajuste anual autorizado de 6,91%. Se os dois fossem somados diretamente, o impacto chegaria a quase 30%, o que foi considerado abusivo.
No entanto, o cálculo desses índices não é tão simples quanto uma soma direta: ele considera juros compostos. Como toda essa matemática não foi totalmente aplicada em 2024, restou um “percentual residual” — ou seja, uma parte do aumento que ficou para ser cobrada depois. O resultado é que, para 2025, o reajuste inclui os 6,06% do ano atual e um resíduo de 7,89% do ano passado, totalizando os 14,43% que assustam os usuários.
É legal esse tipo de aumento?
A insegurança dos consumidores é compreensível e apesar do desconforto e da sensação de injustiça, a medida foi autorizada pela ANS, não sendo considerada irregular do ponto de vista legal.
Ou seja, mesmo que você se sinta lesado, não será fácil reverter o reajuste, pois ele segue todas as regras estabelecidas pela ANS.
Reajuste alto e serviço insatisfatório
Além do aumento, outro problema recorrente relatado pelos usuários da Unimed Ferj é a queda na qualidade do serviço. Reclamações sobre dificuldades no atendimento, redução na rede credenciada e demora em respostas têm sido constantes. Em julho de 2025, foram mais de 1.800 queixas na ANS, e desde o início do ano, mais de 13 mil — em sua maioria sobre falta de cobertura.
Casos concretos não faltam: muitos pacientes oncológicos que dependiam da rede Oncoclínicas para tratar câncer nas mais diversas fases foram pegos de surpresa quando a clínica deixou de atender clientes da Ferj sem aviso prévio, segundo relatos.
Apesar de a Unimed Ferj alegar que a mudança foi uma “repactuação contratual” e não descredenciamento, muitos beneficiários afirmam não ter recebido comunicação prévia efetiva, além de enfrentarem dificuldade para transferir tratamentos para a nova unidade inaugurada pela própria operadora.
O que posso fazer se não concordar com o reajuste?
Se você é cliente da Unimed Ferj e não concorda com o reajuste ou com a qualidade do serviço, a ANS garante o direito de trocar de plano de saúde sem cumprir novos prazos de carência, desde que siga as regras da portabilidade. Em casos de reclamação, também é possível recorrer ao SAC da operadora, procurar o Procon ou até mesmo acionar a Justiça, especialmente em situações de negligência no atendimento ou negativa de cobertura.
A agência também disponibiliza em seu site uma cartilha explicativa e um comparador de planos, ferramentas úteis para quem deseja encontrar alternativas mais vantajosas.
Conclusão
O aumento nas mensalidades e a instabilidade no serviço deixam o usuário de mãos atadas e preocupado, especialmente quem já compromete grande parte da renda com o plano de saúde. Mesmo diante do respaldo legal, é fundamental que o consumidor fique atento aos seus direitos e exija transparência e eficiência das operadoras. Informação e união dos beneficiários são meios de pressionar por um sistema de saúde suplementar mais justo. Afinal, saúde não pode ser um luxo, mas um direito de todos.
